Quarta-feira


(foto de angelica)
"Na pele da minha amiga Manita, para quem escrevi este texto"


No chamamento da noite enlaço a língua em beijos de espuma e,
sonho, canto, gemo, grito a par com os ecos devolvidos à rebeldia pelos sentimentos com que te perfumo a cama. Depois… muito depois dos beijos… sei que vais partir na inexistência de qualquer tempo. Não temos horas nem dias, vejo apenas  os olhos, as mãos, os beijos, estenderem-se como lençóis de angústia na hora da partida.
Quero-te, é certo que te quero... mas não te imploro que fiques;  na hora da maré sou mulher do homem do mar, guerreira aguardo, firme e de pé a tua próxima chegada, sem dia nem hora marcada.
Pouco me importo de me perder em ti ou por ti… pois nada me dá mais prazer do que me sentir perdida naquele exacto lugar onde nasce a perfeição de tudo o que me fazes sentir.
Amo-te, e é por amor que o meu coração fraco te pede…. Volta! Volta para mim… Não me deixes adormecer todos os dias na certeza de um acordar indeciso.

Terça-feira

O BEIJO


(Foto de MARCELO HOFFMANN)

O coração alimenta-se de coisas insustentáveis e minúsculas e o amor é o único vocábulo esférico onde as arestas se harmonizam na procura da verdade… talvez seja por esse motivo que fecho sempre a porta a disputas que não nos levam a lado nenhum, mas confesso-te que me dói ter sempre razão com relação às coisas que vão acontecendo.
Costumas rir e dizer que tenho a mania das adivinhações mas a única coisa que consigo adivinhar é que o teu corpo é uma casa habitável, os teus braços, janelas que se fecham em meu redor na ânsia de me proteger de tudo o que me causa dor.
Gosto de te adivinhar assim… Beijar-te, voltar a adivinhar-te e sentar-me junto a ti no poial dessa casa que habitamos... ao longe presenciar o desenrolar das ondas que beijam a areia como acabaste de me beijar a mim.

Quinta-feira

Vestida de Amor



(imagem de Luís Lobo Henriques )

No improvável lugar onde nasce a perfeição de tudo o que me vai por dentro... desfio um rosário de Salmos, punição admitida por amar; sentimento que julguei extinto em mim.

Se antes eu fui refém de um amor escaldado, fundido nas palavras de uma fantasia esquiva em dias de conveniência… hoje reapareço vestida de amor.
Já não me calo, hesitante entre um paro e não paro;
Hoje não quero parar… nada me impedirá de percorrer este caminho que me faz navegar num mar de palavras felizes onde os aromas do corpo de quem amo se misturam à certeza de que voltei a ser dona de um tempo que outrora fora meu e que à muito tinha ficado para trás.
Perguntam-me se mudei….
Mudei, sem dúvida alguma que mudei, mais que não seja a estratégia do espaço, num ritual consentido... tenho asas e já consigo voar.
Antes não me entendia, era como se o amor e a dor fossem um único e só momento que anoitece e amanhece, num sentimento falso, inverdadeiro.
Cansei-me... dessa falta de entendimento procurando no recôndito do meu ser algo que me fizesse acreditar no valor de um olhar diferente, na crença de algo mais palpável e verdadeiro… pois nunca fui capaz de me sustentar de promessas.
Parti sem destino, destinando-me a um estável adiamento e hoje sinto-me revestida de vida… e mesmo que o corpo nem sempre me permita a deslizes de prazer, posso dizer-vos que é um prazer ainda ter corpo.

ALTIVA


(foto de Victor Melo)

Erguem-se véus de mil cores à sua passagem, enquanto se dobram em curva o dorso dos que não a ousam olhar de frente.

Alheia ao que se passa à sua volta ela caminha pelo trilho do desconhecido, com os olhos erguidos para que o sol a presenteie os calores que lhe atribuem.
Em cada esquina, redescobre um banho de essências doces, suaves, que vêm de um recanto oculto, plantado no meio dos seus seios.
Indiferente, sorri, parece não incomodar-se que a saibam, que a extraiam, que a descubram; pois o refúgio de todos os seus medos está naquele recanto secreto, onde em longos passeios nocturnos geme palavras a um sonho furtivo.
É no recesso desse sonho, que ela guarda os aromas de tudo o que lhe vai por dentro…
cuida, rega cada pedacinho de terra como se fosse um jardim que não tem fim, onde a beleza sublime das rosas que fazem do seu umbigo morada, se protegem com espinhos afiados para quem as ouse desflorar.
É um jardim só seu!
Um lugar encantado onde os defeitos não entram, tal é o medo de que arruínem a pureza de um enlaço de pétalas delicadas, doadoras de encanto que se abrem inocentemente à passagem do mais imprudente dos mortais.

Segunda-feira

Poema a Duas Mãos

(imagem da net)

Há um prende, desprende, perturbado pela cegueira de um amor que se poetizou de paixão. Um amor que murmura alucinado o desespero de entender porque é que persisto em escrever o que não sinto… numa urgência incontida de renascer, renegando a sabedoria da maturidade, na consciência de que não sendo jovem. Também não sou velha....
Mas seique tenho bastante idade para o reconhecimento da dor da alegria e para saber quando partem os pássaros na vez definitiva....
Mas o que eu queria saber não sei...
por exemplo, não sei...
da coragem corporal de palavras e gestos...
que se escondem por detrás de mãos cristalinas.”


Poema a duas mãos

Ana Luar & Bernardete Costa

A Rota dos Porquês

(foto de Jose Luis Cunha)

Pergunto-me o que fazer quando crescemos...
No meio de almas plenas
De palavras que nunca são pequenas
Onde o único alimento é o sentimento.

Pergunto que fazer…
Quando a paixão aclama
 O amor implora
O ódio se faz sentir.

Quem somos?
Porque somos?
Seremos todos documentos sacros revelando segredos antigos,
Ou serão os nossos olhos apenas um reflexo tímido
Que traduzem em versos algo
Que nunca teremos a coragem de dizer?!!!

A nossa rota é quase sempre vazia…
Os caminhos sempre sem rumo
A estrada sempre empoeirada
Somos o tudo no meio do nada
 Somos o que parecemos
 Não o que queremos

Porque existem sempre lenços na mão
Na hora da despedida
Ou lágrimas de angústia… no adeus

Se neste circulo o nosso rumo é todo igual?
Porque matamos,
Porque se vestem de negro as viúvas
Porque choram os velhos

Porque desesperam, se nascemos com a certeza de que: “És pó e ao pó tornarás” Gen 3:19

Somos eternos navegantes
Sem porto de abrigo
Sem um amor sentido
Nascemos em dor,
vivemos na incerteza…
morremos no medo.

Somos ciganos do tempo que nos resta
Sem eira nem beira caminhamos pelo tudo quando o que nos resta é nada.
Somos… porque nascemos...
E até ao nascer somos pequenos!

Desgraçada Crença

(foto de Jose Luis Cunha)



Julgas-me uma errante… uma caminhante do nada por não ter crença nem fé, Julgas mal e esse foi o maior pecado da tua crença sobre mim.
Dizes que sou incrédula no meu caminhar… quando sonho com um novo mundo … e acredito num regressar.
Julgas conhecer-me quando de mim só conheces o calor de minha boca.……… Proximidade que as tuas palavras gritam queimar ainda na tua pele.
Imaginaste-me intocável…. Quando eu não suporto deusas nem altares!

Querias-me?!!.... Tocasses-me…… ( limitas-te a adorar-me)... agora é tarde, não moro mais aqui .

Fui, despojei-me de tudo o que pensei ser teu.
Não ficou fé nem crença que me salvem desta luta que travei com estepes sagradas de alguns desertos ocultos.
Se me escondo? NÃO… ainda não morri, ainda trouxe comigo um espólio de prata que guardo nos armários do tempo… A sua inutilidade opõe-se às razões de caminhos percorridos em vão, mantendo o meu andar firme perante alguns passos que me atraiem.

Vai, segue o teu caminho ... não me tomes por desgraçada, na minha crença sei que atrás de uma estrada existe um beco… Atrás de um beco uma luz… A par com a luz, uma justificativa que motive uma escolha que faça todo o sentido no momento final.


De uma vez por todas........ Vai!

Malifícios

(foto de autoria de Victor Melo)


Existe em mim, a doce tentação, de me camuflar... em versos, de terra molhada.
Esta terra, que hoje, cospe lágrimas do céu rejeitando, remissões inúteis, pela impunidade das rimas.
Terra castanha, preta, vermelha….
Terra indignada, que vomita, os malefícios, causados pela violência.
Amontoando no seu regaço, gemidos das vidas, injustamente perdidas .

Origami

(foto de minha autoria)

Sabe Deus porque escrevo assim, como se a minha vida tivesse sido dobrada num dos vários esquemas de um origami que depois de vincado se faz ao vento saboreando cada recanto enviusado pelas garras de um destino que nunca quis como meu.

Não entendo, ou não quero entender porque teimam em dar-me um destino quando sou livre, imortal, invencível contra tudo o que me quer levar para longe de ti.

Tentam, bem tentam as vozes aziagas… mas nem elas me farão acreditar que o amor é uma coisa fugaz….que se dilui na saliva de um tempo que envelhece todos os sentires.

Não é assim, Não pode ser assim….

Chamam-me, mandam-me parar, como se fosse necessário eu estar atenta para perceber o que me querem dizer… pois de bocas tristes só caiem palavras que gritam que o amor não dura… Mas que importa o tempo de duração se o que sentimos passa a ser eterno só por termos tido a coragem de o ter vivido? Não será mais importante este sentimento que nos deixa em estado constante de ebulição a um sentimento retraido de querer viver e não ter coragem para tal?


Voltam a chamar-me avisam-me mas eu já não olho para lado nenhum…o meu olhar está fixo em ti porque foi em ti que entrelacei as minhas mãos… Deixei de me importar com o que pensam por medo de se exporem, o medo corrói-lhes o coração e atrofia-lhes o sentimento.


Não, não os quero ouvir, nem sequer os olharei, seguirei para ti … e mesmo que por vezes eu tenha que recuar, usarei as palavras para desculpar esta teimosia de remar contra o tempo que tenta derrubar as certezas que existem dentro de mim…

Tu sabes que ainda não me adaptei á vida… por isso não sei o que são ausências….

As certezas; Sim conheço-as mas guardo-as por dentro para que o tempo que arrebata a vida, não dê por elas e não me leve para longe do teu amor.

Domingo

(Tela: Endless Love, Alfred Gockel)





Sejam traços a dois… ou apenas dois traços
Serão sempre o desalinho de um imenso querer.Querer a dois… que se esboça em laços, de braços rodados em roda da lua,

.............Tu meu,
......................Eu tua.

Traços insuportavelmente felizes... suavizados pela maciez de um olhar.

Podia dizer-te que são rascunhos do nome que me escapa dos lábios… conjugado no mais conhecido dos verbos... Mas, são apenas esboços vivos, que traço devagar, como as sílabas que uso para definir a ausência encadeada da minha cegueira.
Degrau a Degrau

(imagem da net)


Dezembro...
Nunca escrevi nada sobre Dezembro… mas hoje neste 13 dia de Dezembro apetece-me escrever sobre a chuva, essa que chega impelida pelos ventos, inventos rasgados que atingem as paredes do céu... ou do meu ser… Não sei!


Hoje sinto-me cair… como essa chuva malandrinha que geme triste uma sorte que não deseja. Não sei se temo o meu tombar, ou o tombar de temporais que passam como relâmpagos destroçando toda a minha vida.

Não sei! Já não sei nada… fico-me aqui perdida em pensamentos a escutar o vento Oeste que ensaia uma Ode a todos os desiludidos… enquanto isso preparo um copo não de leite, mas cheio da adivinhação dessa manhã em que me resta esperar o tudo ou o nada e o nada já me afogou e o tudo que me levou ao nada, tarde demais quis saber quem sou.

A existência aos Domingos nostálgicos de um dia qualquer de Dezembro é uma míngua e isto que hoje sinto é um estado minimalista de ser.


É hoje… só hoje (espero eu)


(imagem da net)
(uma carta antiga)

Enfado-me diariamente com idealistas maliciosos que “vivem”de acordo com a infinita sapiência, acreditando ser esse o único trilho para a felicidade.Vivem sepultados no saber, nas possibilidades e nas probabilidades de palavras bem colocadas para não ferir susceptibilidades…
Respiram todos os dias, sem perder a cabeça, nem sair do fio delineado para o encontro das almas que levarão desta vida para um outro estado onde habita a perfeição (que enfado).
Almas enfadadas, negras de tédio, mortas de vida… Que rejeitam a subtileza de sentimentos inúteis. (Inúteis… dizem eles!)

Parafraseando Pessoa… eu digo-te meu querido, que nos julgam inúteis, porque não entendem como se ama infinitamente o finitoComo se deseja, impossivelmente o possível
Porque queremos tudo, ou um pouco mais, se puder ser
Ou até se não puder ser...


Por isso meu amigo se me perguntas se estou cansada, e se estar cansada é viver… respondo-te que me sinto, cansadamente VIVA!
(imagem da net)

Podes dançar,

.............Rumba,
...................Tango,
........................Bolero,
....................nos braços de todos os anjos ou demónios.
Deixar que te apertem, que te agarrem, que te amparem…Que te contemplem, que te aclamem, que te amem.
Podes cruzar, descruzar, rodopiar… na fragrância dos ventos ou no afogueio de todos os sóis
porque sou eu que devasso todos os odores que germinam da raiz do teu corpo.
(imagem da net)
Um bolero acaricia o descuido de horas tranquilas ao som de palavras que dançam como mel, na boca de quem pergunta, (quando) será o dia?
O dia em que a vê ...... ? .....(ou cega)
O dia em que a beija ...... ? ..... (ou cospe)
O dia em que a despe .......... ?..... (ou rasga)
O dia em que a ama .................. ? ....(ou odeia)

Quando (?)...... Quando (?)...... Quando (?)

Palavras doces, que rompem o infinito da originalidade, ao comporem uma dança com texturas embaladas no aroma dos sentidos, dom que algumas pessoas têm de inventar palavras novas…Palavras feitas de algodão, tão deliciosamente doces que nos fazem querer ter encontrado o tal caminho para a felicidade.Nem que seja por um único dia.
Se eu fosse harpa entoaria hoje, um cântico tártaro para realçar a destruição de todas as minhas crenças.
Mas não sou harpa… sou apenas gente, que sente, como toda a boa gente.

Gente sem forças… zangada, cansada de ilusionistas que despem e vestem expressões de afecto. Cansada de rostos sérios, que se dizem justos, sábios, sensatos, desconhecendo o poder das palavras que calçam.


Não sou assim! … Não sou e não me rendo a esta classe de gentinha decapitada de consciência.


Meu Deus! ... Estou sozinha no mundo!
(Estou sozinha no mundo!)

Sozinha, porque não sei viver dois mundos… duas vidas.
Sinto-me como se tivesse atravessado um furacão violento que não respeitou a minha sensibilidade e sem dó nem piedade me atirou ao chão para lamber todas as minhas possíveis culpas... Uma árvore inclinada sobre o abismo, quebrada, fraca pela fadiga e pela violência do embate de ter descoberto a impossibilidade do seu reerguer.

Tenho em mim a raiva acesa do fio de uma espada cravada no peito da indiferença.
Não luto… Já não luto!
Oiço o rio (ou será o mar?)
Um e outro anunciam a minha morte, enquanto visto o meu corpo de algas… e me faço deusa do rio de lágrimas que chorei no Olimpo da minha vida.
(imagem da net)

Entreguei-me a uma nudez sem prazo... Caminhando nua no limbo
das sensações carnais.

......Quero-te.............

.......................Desejo-te..........

........................................Seduzo-te

Sinto a fome, de quem ama, de quem, não pode ficar calada
Chama-lhe amor, se quiseres!
Não insistas em desvendar a paixão que enlaço no teu pescoço.Não queiras desmascarar nenhuma das minhas expressões... seria um trabalho longo e penoso.Acredita-me, porque tudo o que te digo é verdade!Sou de idade e porte orgulhoso… e se desperto simpatia de uma forma geral... é porque faço da alma o meu sentir.Além disso, não vejo motivo para que me insultes de snobe,
porque se me elevo no nome dessa esfera iluminada e de rara beleza… a lua... é apenas para me sentir mais próxima das estrelas.Por isso volto a insistir...
-Desiste de tentares saber mais do que aquilo que eu te mostro.
De mim nada mais saberás a não ser que… danço na berma do abismo… entre o riso e o enigma


(imagem da net)

Namastê
(O Divino em mim saúda o Divino em Ti)
Em exemplar harmonia... mente/coraçãoCurvo-me perante ti unindo os dedos… dez (o símbolo da perfeição)Para que não esqueças que ambos somos pura energiaNem sempre em perfeita comunhão.
(imagem da net)

Infeliz mulher que de braços estendidos à vida, ainda acredita ser possível satisfazer o desejo mais devasso de quem jura a seus pés uma fidelidade descabida de verdade.
Determinada
Mantêm-se indiferente às mentiras, às juras de amor na inverdade dos sentidos…
Voluptuosa…
Sabe que mais tarde ou mais cedo acabará por abrir as pernas da sua profundeza intima, para que as flores pululem num aclamado entusiasmo de aromas de melodias soltas, satisfazendo em jactos de mel todos os que ávidos esperam por prazer.
Vem-te!... Vem-te! (gemem as vozes desesperadas dos amantes)
Numa orgia de sensações, ela é violada diversas vezes...e num entra e sai inquieto, ninguém respeita a sua condição de mulher prenhe de vida.Ao som dos gemidos incontrolados dos ditos adoradores, ela sabe que já não é mais semente…
Madura...
entrega-se ao delírio do prazer.
Cansada...
ejacula lentamente… numa explosão consentida gerou, pariu e agora germina… em ondas de prazer e cor.
A Terra! (um... olá Primavera!)
(imagem da net)
Amorosa,
desalinha beijos esculpidos por corações de pedra.
Insubmissa,
renasce em raízes entrançadas pela voz do silêncio.
Sem desonra,
esvazia o perfume da alma, no caudal de rios feitos de lágrimas.
Sensual,
ergue as pernas como arvore, que se embriaga na seiva.
Como mãe…
rompe névoas, ventos e tempestades e da chuva inventa sons de cristal.

Sublime mistério este, chamado... Mulher!
Convida-me para dançar!
Shhhhh... Não fales... Convida-me para dançar).

Não te peço diamantes, nem palavras ocas.
Não te peço esforços inúteis, nem mesmo sacrifícios…
Peço-te apenas (Convida-me para dançar)
Pede baixinho… shhhhhh … baixinho…
Ao meu ouvido, diz... Diz que sou a única, a que te faz feliz…
Diz!que me achas linda... que sou um amor bonito (em todos os sentidos)
(Convida-me para dançar)
Assim……baixinho... baixinho…. Isso assim, diz(o meu nome devagar) Diz!

(Convida-me para dançar)
Hummm… como gosto quando me pedes para dançar.
(imagem da net)

Não te assustes, o frio não me arrefece… Vem deitar-te na minha cama e quando a lua rasgar o horizonte, prometo-te uma cascata de odores carnais… um cio ardente de afectos contidos por uma orquestra sem maestro...
Rasga-me…
Possui-me…
Atiça a tua língua a descobrir um caminho para a humidade nocturna no labirinto das minhas pernas e faz-me renascer contigo, para que eu me sinta pura e redimida.
(imagem da net)



Tenho frio!
Há muito, muito tempo que tenho frio… A culpa é do vento norte, que teimosamente dispersa o entardecer em espasmos de uma dor consentida, enquanto imóvel me observa morrer.
Não ouso…
Não falo…
Não imploro...
Não me atrevo…
Estou cansada!... e cansada deixo de escorar o desejo na leveza da esperança…
Perdida quedo -me ao silêncio de vozes que já não germinam em harmonia, porque sei que não existe nenhuma forma de medição de perdas que explique o cansaço de qualquer vontade antiga na desertificação do coração.
Eu sei! Sei que permaneço em sobressalto, mas aquieto a voz que me diz, que está quase no fim o rasgo das lágrimas, da sede sentida, do desespero de quem quer sorver o suco da própria vida.
(imagem da net)

CANSAÇO



No improvável lugar onde nasce a perfeição de tudo o que me vai por dentro... desfio um rosário de Salmos, punição admitida por amar o que julguei que era.
Sinto-me refém de um sonho, cinza de um amor escaldado, fundido nas palavras de uma fantasia esquiva, experimentada escassamente em dias de conveniência.
Que estranha forma de amar!
Não sei o que mudou ou se algum dia mudou… mas sei que há um prazo que encerra em mim a voz de tudo o que já não consigo dizer. Calo-me, hesitante entre um paro e não paro, não quero parar mas paro.Mudo a estratégia do espaço num ritual consentido... tenho asas e continuo a não conseguir voar.
Sei lá!
Já não me entendo... é como se o amor e a dor fossem um único e só momento que anoitece e amanhece,num sentimento falso, inverdadeiro.
Cansei-me...
Parto sem destino, destinando-me a um estável adiamento.


(foto de minha autoria)



Não há vozes nem rumores
que calem o júbilo da voz de Satanás
ao derrubar o anjo
que carregua nas asas
o ajuste do Espírito Santo.


(imagem da net)


Existem caminhos invertidos
Caminhos sumidos num tempo sem volta, onde as horas são momentos desprovidos de vida.
Momentos de cruzes plantadas a medo, por essa esquiva dependência de quem receia o propenso a acontecer. É neste trilho de tempo irreal, esticado pela carência de uma luz enfraquecida que me propago no vácuo do silêncio para despertar de apuros que os instintos não esquecem.

(imagem da net)

ENTREGA



Entreguei os seios ao desejo desumano, à avidez animalesca de uma lambidela descombinada de brandura.
Não sei o que se passa comigo!
O corpo vibra em vários tons, os mamilos ferem o tecido fino da blusa branca pronta a esgaçar o desejo contido às mãos da madrugada.
Cansada, entrego-te todos os meus sentidos.
Já não resisto... desisto do que sou do que fui.
Agora, o corpo estremece,a pele reage e dança ao toque de dedos que avolumam a paixão perceptível dos meus fartos seios.
Quero-te!
Não me importa como!
Sei apenas que te quero aqui… no meio dos meus seios.

(imagem da net)

Ama-me


(Imagem da net)

Ama-me enquanto podes!
Enquanto a paixão é um suspiro que pulsa, sentido e enfeitiçado.
Esquece a cama, os lençóis negros onde tantas vezes deixámos a marca branca da satisfação e ama-me aqui e agora… enquanto ainda podes.
Não fales!
Não me perguntes se te amo!
Quero apenas que me dispas da brancura da inocência para me vestires do vermelho apaixonado, dessa boca que hoje se alimenta dos meus beijos.