Terça-feira

Idade do Vermelho

                                                  foto de minha autoria..... modelo: Celina Nogueira.

Tenho a idade certa para escrever com o corpo memórias de um tempo que teima  ficar-me por dentro. Um tempo de rasgos vermelhos onde sem pudor, a minha mão conduz a tua nas doces curvas da contemplação, onde me cedo e me nego na agonia do que quero e do que não permito. Para ti danço com ambas as mãos numa viagem inaugural... Não quero o silêncio, quero reaprender as palavras da paixão, reaprender  a guardar nelas o que resta dos beijos que sempre me desalinharam os sentidos.

Não desistas, porque não te quero suspenso.... quero-te táctil,  tenso, retido no acento vulnerável de  sílabas inacabadas que sussuras ao meu ouvido, quando adormeço sobre o teu peito. Este é o inicio perene do nosso entendimento, nada de lençois arrumados á pressa, não quero um espaço construído no vazio do medo.... quero apenas tudo o que poderia querer alguém que ama. Não és mais um rosto... nem mais um corpo na minha cama... tu és, tu! Aquele que me permite ser quem sou... quem eu gosto de ser...deixando-me despertar amuada, colocando no meu colo um repasto feito de amor e um sorriso que acompanha a mão, afangando o beijo que nela deposito.

Domingo

Poema


                                     foto de minha autoria..... modelo: Celina Nogueira

No lugar onde me acoito
quero meu corpo
moldado às tuas rimas,
ser a silaba mais lasciva do poema!
Ser uma ânsia diferente
que de tanto se querer  tua
entrega-se sem pudor
a um texto sem virgulas
arrojado e quente.
Neste verso em que me queimo
as palavras escorrem
como se moldadas de luar fossem
Num fim de noite... perfeito.

O BEIJO


(Foto de minha autoria)

O coração alimenta-se de coisas insustentáveis e minúsculas talvez por ser o único vocábulo esférico onde as arestas se harmonizam na procura da verdade… talvez seja por esse motivo que fecho sempre a porta a disputas que não nos levam a lado nenhum, mas confesso-te que me dói ter sempre razão com relação às coisas que vão acontecendo.
Costumas rir e dizer que tenho a mania das adivinhações mas a única coisa que consigo adivinhar é que o teu corpo é uma casa habitável, os teus braços, janelas que se fecham em meu redor na ânsia de me proteger de tudo o que me causa dor.
Gosto de te adivinhar assim… Beijar-te, voltar a adivinhar-te e sentar-me junto a ti no poial dessa casa que habitamos... ao longe presenciar o desenrolar das ondas que beijam a areia como acabaste de me beijar a mim.

Sexta-feira

Preciso de Ti

                                                                                   
                                                          
                          (foto de minha autoria)



Sejam traços a dois… ou apenas dois traços
Serão sempre o desalinho de um imenso querer... Querer a dois  esboçados em laços de braços rodados em volta da lua,

.............Tu meu,
......................Eu tua.

Traços insuportavelmente felizes... suavizados pela maciez de um olhar ou pelo doce toque de um beijo..

Podia dizer-te que são rascunhos do nome que me escapa dos lábios conjugado no mais conhecido dos verbos... mas são apenas esboços vivos que traço devagar, como as sílabas que uso para definir a ausência encadeada da minha cegueira e do quanto preciso de ti.